Nasci nos portais
do Templo
Aos pés da
escadaria fui concebido
Nunca fui
convidado a entrar
Nem a Ele fui
conduzido.
Cresci das
migalhas dos devotos
Da misericórdia
dos santos
Das sobras dos
monges
Dos panos dos
sudários.
Por compaixão, um dia,
Enterraram
minha mãe
Após ela, meus
irmãos,
Eu lá fora, permanecia.
A lua de cada
noite
O sol de cada
dia
Me viam, ano a
ano,
Nos vãos dos passos
Das procissões,
Nos vãos dos passos
Das procissões,
Deitava-me com
os cães
Com quem
dividia
As sobras
divinas
Das bocas
devocionais.
Com a idade,
os olhares
De piedade
aumentavam
Também as necessidades:
Nunca se
sobrava o bastante.
Com a fome e o frio
Acostumei-me
Mera extensão do degrau
Que me viu
nascer.
Um dia, em
mármore,
Adormeci.
Pés feridos
que do chão
Se elevam
Pórticos não
me importam
Subo pelas
torres
Entro pelos
vitrais.
O cântico dos
cânticos
Enche meus
ouvidos
Tão
acostumados
Aos meus próprios gemidos.
Embaixo, o altar-mor:
O Sacerdote eleva ao céu
A Taça Sagrada
Que reluz ao sol.
Embaixo, o altar-mor:
O Sacerdote eleva ao céu
A Taça Sagrada
Que reluz ao sol.
Eis que então percebo
Que a mim são dirigidas
Que a mim são dirigidas
As
palavras cerimoniais:
“Bem-vindo
à tua casa, enfim.
Dá-nos
tua piedade
Enche-nos
com as sobras
Do tão pouco que te demos.
Entra
no corpo dos que te ignoraram.
Derrama-te
em chuvas
Nas
escadarias de nossas almas,
Pois
no Santuário em que estamos,
Nunca
verdadeiramente adentramos.
E
tu, pela Providência,
Te
tornaste, com o tempo,
O próprio
Templo”
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