Refaz teus laços com o passado, oh artista
Busca na cova rasa da memória a ressurreição
Dos teus sentimentos mais antigos.
Caça em cada fresta ou ranhura da tua mente
As lembranças escondidas (doces e amargas)
Delas faz cimento e concreto
Reconstrói a tua obra
Alicerça teu Eu, tão maleável
Inconstante às agruras do ambiente.
Reforma-te!
Lembra-te dos momentos ternos da infância
E dos traumas mais profundos;
Das saudades, das ausências, dos retornos
Mistura tudo no cadinho que te inspira
Dele extrai novos enredos, outras histórias
Foge do hoje… pelo menos por um pouco
Só pelo momento necessário
À perpetuidade.
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